Lugares…

mãos

Decifras os silêncios,
opõe-se a ele mesmo,
Desviras meus avessos
Em qual parte estou eu em ti?
Em qual partícula tua
deixei minha contemplação
real aos teus dias?
Em qual lugar de ti mesmo
se apercebeu o melhor de mim?
Em que espaço do tempo,
do amanhã, desse instante agora
serei tua espera?
Qual desse não-estar
brindaremos de mãos dadas
o bem-querer, o mesmo caminho?

Em qual estação o verso
guardar-te-ia protegido
dos olhares outros?
Esses que nos rompeu de nós
tomou-nos a foz
Sem se quer desaguar as sós?

Em qual reencontro seríamos
aquela realeza tal qual se afinou
ao toque das mãos
morando olhos nos olhos?
Qual dia versaria a rendição
em aniquilar nossas falhas,
redimir os erros que outrora
fez-se infortuno das marés de mim?

Os dias correm,
distâncias se alargam
os olhos não se sabem
se morarão um no outro,
e suas mãos guardam suas texturas,
toda suavidade que desejavam ser.

(Fernanda Fraga, 30 de janeiro de 2016)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s