Sobre Simplicidade…

amanhecer

Meu quintal amanheceu – céu
leveza a se apaixonar
Nos pousos habituais,
somente por simplicidade.

Árvore boa a permitir
muitas demoras e encantamentos.
Ajeito algumas nuvens
Espero ver o sol,
gosto do sotaque do vento
Do rodopio sob o desenho de todas elas
afofo as folhas de Mellisa e Hortelã.
Preparo um chá, saboreio-te.

Minha incompletude vela 
diminutas afinações,
Tenho a maestria 
em aferir doçuras
Como prece ensina-me 
ter-te nas singelezas,
Amanhece-me céu
A permitir regar tuas esperanças.

(Fernanda Fraga, 17 – Abril -2016)

Anúncios

Na Moldura Dela…

Bordar-se-ia ela, a moça e seus trejeitos todos.
Costurava-se-ia ela panos
e alinhava-se-iam seus sorrisos;
Entre os cantos das esquinas
e os sorvetes saboreados na vila ao lado.
Bordar-se-ia ela, suas saudades nas linhas coloridas.
Idas suas (des) encontros.
Vestia-se ela, de seus bordados de lã.
Ingênua, pura. Feminil.
Alinhava-se-iam seus carretéis
nas cambraias sem medidas.
Vestia-se ela, de nós dois: bordados de sua boca,
novelos das manhãs de Sol.
Na moldura dela de ser.

(Fernanda Fraga, 12 de Agosto de 2011)

P.S:  Inspirado na prosa poética: “Da Moça” da poetisa Talita Prateshttp://historiadaminhaalma.blogspot.com/2011/07/da-moca.html

Exatidões dos Eus…

reflexo

Carrega nos olhos
laços do sol,
fitas soltas,
uma pétala entre folhas
paradoxalmente esverdeadas;
Em cada esclera das íris
uma cor desmistura
a cor do dia
temperada de outros eus
que ora sou eu
que ora outra és tu
Era de reflexos;
feita de miragens,
é de exatidões
esse infinito.

(Fernanda Fraga, 7/12/2015)

*imagem: suicidal-dream.tumblr.com

Cabe…

flor
Agora cabe é a poesia nas verdades intimidadas
Cabe tudo o que é pleno.
Sol no rosto, beijo cálido.
Felicidade pertinho, junto, bem-dentro.
Cabe agora brisas aleatórias,
Janelas abertas, limpeza de alma.
O laço de fita enfeitando suas mãos.
Cabe, cantigas, prosas e o doce-de-leite
O verso confessado
O amanhã a completar no seu agora.
Cabe os verbos e seus pronomes.
O meu infinito a preencher todo seu espaço.
Agora não cabe, as paixões.
Os venenos destrutivos, aqueles passageiros.
Agora cabe o que veio pra ficar.
Cabe o que for Amor.

(Fernanda Fraga, in; poema Cabe, 17 setembro – 2011, publicado originalmente daqui: – Me Falta Um Pedaço Teu – Fernanda Fraga )

*Imagem:  tumblr_static_tumblr_static__640

Mirante…

print2

Pedaços soltos cingem meus dias
Me visitam sussurros sem tua voz,
Pendulam tuas delimitações
nos vãos da porta, sem aceno algum
Olho na fresta entrecortando o Sol,
Desmisturas os movimentos
Minha memória semi-presente
Olho pr´as nuvens,
deito meu cansaço na montanha mais alta.

Tentando vasculhar teus fragmentos
reflexos de paisagens minhas
E não te vejo mais,
Não mais…

Minha língua saboreia o agridoce espaço
Mirante, saudoso, vasto.
Um gris desliza nos olhos
Hoje o Mar chorou por mim.

 (Fernanda Fraga, 14/07/2013) 

:::”Reduzistes o meu universo a pedaços que navegam no espaço sem sentido, vertiginosamente, enquanto eu guardo no céu da boca para encher a tua noite de estrelas”. (Albino Santos)

*Poesia extraída do meu blog antigo:  http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com.br/2013/07/mirante.html

Imagem do Google, site específico não encontrado.