Na Moldura Dela…

Bordar-se-ia ela, a moça e seus trejeitos todos.
Costurava-se-ia ela panos
e alinhava-se-iam seus sorrisos;
Entre os cantos das esquinas
e os sorvetes saboreados na vila ao lado.
Bordar-se-ia ela, suas saudades nas linhas coloridas.
Idas suas (des) encontros.
Vestia-se ela, de seus bordados de lã.
Ingênua, pura. Feminil.
Alinhava-se-iam seus carretéis
nas cambraias sem medidas.
Vestia-se ela, de nós dois: bordados de sua boca,
novelos das manhãs de Sol.
Na moldura dela de ser.

(Fernanda Fraga, 12 de Agosto de 2011)

P.S:  Inspirado na prosa poética: “Da Moça” da poetisa Talita Prateshttp://historiadaminhaalma.blogspot.com/2011/07/da-moca.html
Anúncios

Exatidões dos Eus…

reflexo

Carrega nos olhos
laços do sol,
fitas soltas,
uma pétala entre folhas
paradoxalmente esverdeadas;
Em cada esclera das íris
uma cor desmistura
a cor do dia
temperada de outros eus
que ora sou eu
que ora outra és tu
Era de reflexos;
feita de miragens,
é de exatidões
esse infinito.

(Fernanda Fraga, 7/12/2015)

*imagem: suicidal-dream.tumblr.com

Cabe…

flor
Agora cabe é a poesia nas verdades intimidadas
Cabe tudo o que é pleno.
Sol no rosto, beijo cálido.
Felicidade pertinho, junto, bem-dentro.
Cabe agora brisas aleatórias,
Janelas abertas, limpeza de alma.
O laço de fita enfeitando suas mãos.
Cabe, cantigas, prosas e o doce-de-leite
O verso confessado
O amanhã a completar no seu agora.
Cabe os verbos e seus pronomes.
O meu infinito a preencher todo seu espaço.
Agora não cabe, as paixões.
Os venenos destrutivos, aqueles passageiros.
Agora cabe o que veio pra ficar.
Cabe o que for Amor.

(Fernanda Fraga, in; poema Cabe, 17 setembro – 2011, publicado originalmente daqui: – Me Falta Um Pedaço Teu – Fernanda Fraga )

*Imagem:  tumblr_static_tumblr_static__640

Mirante…

print2

Pedaços soltos cingem meus dias
Me visitam sussurros sem tua voz,
Pendulam tuas delimitações
nos vãos da porta, sem aceno algum
Olho na fresta entrecortando o Sol,
Desmisturas os movimentos
Minha memória semi-presente
Olho pr´as nuvens,
deito meu cansaço na montanha mais alta.

Tentando vasculhar teus fragmentos
reflexos de paisagens minhas
E não te vejo mais,
Não mais…

Minha língua saboreia o agridoce espaço
Mirante, saudoso, vasto.
Um gris desliza nos olhos
Hoje o Mar chorou por mim.

 (Fernanda Fraga, 14/07/2013) 

:::”Reduzistes o meu universo a pedaços que navegam no espaço sem sentido, vertiginosamente, enquanto eu guardo no céu da boca para encher a tua noite de estrelas”. (Albino Santos)

*Poesia extraída do meu blog antigo:  http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com.br/2013/07/mirante.html

Imagem do Google, site específico não encontrado.

 

À Poesia…

moça

Antes mesmo que o Sol descortinasse da janela do meu quarto a palência negril dos seus cabelos beijou-me o pescoço e banhou-me nos lábios de sua noite. Um sabor de final da tarde já desenhara alguns traços, num pouso manso no esvaziar da cidade. Vagueio em sua tez não devoluta, bebo dessas cadências, deitada numa rede. Mas ela move-se inteira a colorir cada uma das minhas letras e a me fazer ver músicas nos meus dedos, deixando gosto bom na minha boca. E por recebê-la assim vestida de P o e s i a, dedilho-a debruçada em mim, à espera do vinho à mesa, do drink, do Blues descontraído. Dessas ternuras a compor rimas, a inaugurar prosas, teus gestos; tuas mãos marcando o Jazz. Um roteiro inteiro pra colorir o Céu cinzento com azul cor de Poesia. E por recebê-la inteira, me suscitou um verso, moveu-se infinita, plácida, cantante e o que prediz em mim – a  i n s p i r a ç ã o. Seria caber carinho, seria transbordar em palavras. Havia de ser entre lençóis, brumas, passeio bom pra redescobrir todos seus cantos e os meus, beiras, vãos, risos e poemas.

(Fernanda Fraga, in; À Poesia, 25/09/2012)

*Imagem desconheço autoria.

Realezas…

thoughofyou

Diriam aos pássaros a verdadeira
missão de pousar aos teus olhos,
Diriam do teu ofício
em desaber dos calendários,
para saber-se em mim.

Diriam do nosso amanhã,
a pausa que se espera
Entre o silêncio e o cantar;
Entre sorrir e o contemplar-te,
Saberiam do presente,
Saberiam do espaço,
do tempo; das chegadas,

Saberiam respeitar os invernos
as vésperas do que nem nos aconteceu.
Curemo-nos com a nudez
Ao que vigora o dia, a confissão da lágrima
Ela própria: é realeza
em resignificar teus reflexos.

Realidade a nos ensinar
Exatidões fiéis das pétalas.
Aquela ternura a florescer da boca;
Um reino capaz de vestir-se com asas
Ser cor e pincel pra passear contigo,
delicadezas que se guardam,
Por ser pura de encantamentos.

(Fernanda Fraga, 14 de novembro de 2015)