Admiração

Teu olhar me iluminou
os dias escuros
Alegro saber que os galhos secos do tempo
Não definharam as flores
que semeamos no solo
chamado ternura e admiração
Guardo ao peito a regá-las
Tampouco invernarão nossas primaveras;
Posso saber-me delas
através deste presente
da tua amizade,
deste amor
todos os dias.
Assim como nossas playlists
e suas preces a mim.
A nutrir cada reencontro
festejar tuas conquistas
tal qual como celebras meus pódios,
Costuro em poesia a delicadeza
e toda doçura em que me recebes
em teu mundo
E no teu abraço o aconchego
aos meus desânimos
Me enriquece e me renasce ter do lado
a sua força e liberdade motriz
A me incentivar
a ser melhor cotidianamente
Contemplo este ser sublime que és,
a me admirar
e me dás em tom de verso nomeado:
Meu Algodão rosa, minha mão segura a tua.

(Fernanda Fraga, 18/04/2021)

¶ Imagem desconheço autoria

¶ Poema dedicado a uma das minhas melhores amigas.

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Pertencer…

Andava um pouco distante da interação pelas redes. Sempre que se abria um espaço, atualizava seu cantinho. Já teve quem achasse que abandou a literatura, por não ter uma constância neste meio. Por isso deixou de ter alguma existência nesta janela de conexões. Possuí outros ofícios, que se dedica com total inteireza quanto em seus poemas. Pra quem chegou agora ou talvez não saiba. Sua profissão é a fisioterapia há 12 anos, tem formação em acupuntura, além de outras técnicas ligadas a física quântica. Seu tempo se complementa nestes ofícios, de mãos, ombros presos, dores, alívios. Tantas virtudes e belezas que se reencontram porque o corpo do outro já deixou de doer. E adiante nas palavras, há quase 18 anos mergulha na poesia. E desde assim, sempre se apresentou neste vitral. Havia ela ensinado sobre alívios, aprendido a se sentir bem com os seus voos e recomeços. Havia ensinado e aprendido sobre reesignificar e ensinou a tantos mais. Sua poética percorria um oceano inteiro. Às vezes só percorria o vizinho do lado, que se encontrou liberto ao ler um poema seu. Havia ali uma fração do seu ser e salvou de si mesma. Um ensaio, um divã terapêutico, uma verdade inteira. Mas veja, repare só, ainda que ela te ensine a se aliviar e alongar a alma. Deparou-se em uma noite dessas, com um poema plagiado. E inúmeras justificativas de quem havia invejado por um instante ter pra si aquelas letras. Ainda que ela te ensine sobre alívios, mesmo também sendo imperfeita; nada dá liberdade de aproveitar de suas ausências nesta janela virtual. Na esperteza de levar pra si sua poesia, sem pontuar seu nome;
a ocultar dela a sua digital. Tentaram abafar, tentaram calá-la! Eram tantas justificativas onde jamais irá justificar o injustificável. Ela se sentiu roubada, ferida, ainda que lisonjeada porque de alguma maneira sua arte estava lá, vista por outros olhares: esplêndida como é! Estava lá apreciada, mas todo o meu versar que escrevi depois de um beijo macio na boca. Estava lá, que se leve o que tiver de levar, mas dê o direito à pertença. Respeite a tinta do pincel da tela do pintor da esquina, mesmo que este seja um desconhecido, morador de uma casinha lá no pé de uma montanha, no interior do interior do Brasil. Ele ainda não é visto, reconhecido, mas é um artista nato, o melhor artista que se viu. Semeiem as palavras de poetas grandes a nos inspirar sobre os despropósitos. Ambos merecem igual respeito legitimados aos seus nomes. O que se ocultou, ou se quis reparar de um dano, não importa. Não importa porque você se vestiu de sua ótica, que pouco doeu em você. E como única pauta de suas desculpas a passar pano, insinuava não perceber os óbvios. Saiba que em qualquer dos bastidores de suas atitudes, ele diz mais sobre você e seu caráter do que de mim mesma.
(Fernanda Fraga, 17 de Abril de 2021)

¶ Imagem desconheço autoria

Ser Inteira…

Saltando por sob cacos de vidro e sentimentos teus. Macios toques a afagar minh´alma.
Em tempo fluido de águas claras, pus-me a rebuscar teus quereres, teus carinhos tão graciosos: pele a pele. Suspiros, arrepios, volúpia. Mas é difícil lidar com o passageiro, porque ela nasceu para o eterno.
E percorrera seus caminhos que exalam um perfume intocável, inausente e tão presente em mim. Ela vai todos os dias ao encontro daquilo que têm pincelado as nuvens do teu céu. Como aquela música que compomos aquele dia… Uma melodia matutina. Orquestrada. Pressentida. Peregrina. De Ópera divina. Por nossos beijos pautados e descompassados de lábios de venturas.
Onde ela suspirava pelas madrugadas a buscar seu alento, de abraços em noites acontecidas. Úmido gosto de beijos preenchidos, em cada canto nosso entreaberto. Sequioso. Eloqüente. Sim. Foste tu que atravessaste todo o oceano, território meu aqui escondido.
E foi alinhavando os contornos do meu corpo, me vestindo e desnudando com tuas vestes. No mesmo compasso que trouxe teu carinho a mim. Porque na verdade ela não queria ser só silêncio, só uma parte. Ela queria ser inteira.

(Fernanda Fraga, 29 de Janeiro de 2011)

📍Poema em prosa postado originalmente em meu blog antigo Me Falta Um Pedaço Teu :
http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com/2011/01/ela-nao-queria-ser-so-o-silencio-so-uma.html?m=1

Teus Passos…

Deixa-me ouvir estes versos
Tecidos entre os regados dos pés de maracujá
A vazar-se nos candelabros
Nos feixes murmurantes, dos teus olhos de infinito.
Por sob a maresia que perdura o teu espaço,
E silencia em todo o vão,
E descarrilam-me arraigados
Para habitar-se no oceano e nas persianas do céu.
E inevitavelmente transitam
entre as conchas de tuas demoras
Tuas horas vislumbrando o tempo.
Uma saudade sem ter cais,
Um barco sem o teu porto.
Essa exatidão onde verso falta tua.
Essência que desafogou os medos
Fragrância a se deslizar na pele das minhas mãos
Enquanto cultivo rimas para os teus dias.
Ponte tecelã a desenhar,
a geografia dos teus passos.

(Fernanda Fraga, poema Teus Passo, escrito em 30 de Janeiro de 2014)

Postado em meu blog antigo:
http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com/2014/01/teus-passos.html?m=1

Arte da imagem: Beatriz Martin Vidal.

Sobre Farsas

Todo plagiador é uma espécie a ser estudada. Ele vive um paralelo entre a realidade e a fantasia por assim dizer. Sua filosofia não tem entrada sequer em uma Nárnia. Acredita ser possuidor da criação do outro, apodera-se dela, reinventa-se ela, na tentativa fracassada e vil de molda-la para si. Segue o fluxo de suas letras mirabolantes e bem forjadas para que possa parecer ser sua.
Anula a si na mesma tentativa desesperada de ter a admiração, aplausos por algo que não fez. Por crer não conseguir criar, inspirar, produzir algo tão bom, bonito quanto. Desconfigura as palavras, insere outras, passa um pincel sobre o arco-íris da arte para que os outros validem a si e a sua própria farsa. Todo plagiador é uma criança ferida, que não experenciou o aferir da dança dos voos de Manoel de Barros, não teve a paciência de aprender a beber da doçura dos versos: “os passarinhos gostam de mim e de goiaba”. Não navegou pelos caminhos das pedras, das boêmias, de Drummond. Não viajou pelas bagagens, rezas, nem do colo aventurado deste poema: “Meu Deus, me dá a mão, me cura de ser grande”, de Adélia Prado. Tudo de si é maculado para que os outros creiam que fora feito de sua inspiração, do seu suor, de suas lágrimas, de seu amor, do beijo que não foi beijo. Uma ilusão pensar que o criador da obra jamais venha percebe-la a solta por aí toda aborrotada. No fim o criador se sente um pouco lisonjeado até. Todo plagiador tem requintes de sarcasmo de mal gosto e muita cara de pau. Faz do ofício, das criações do poeta, escritores, artistas, escárnio puro. Não seduz por muito tempo, porque pesa, não vinga, não floresce, não próspera em sua arte. Não encanta por lhe faltar duas doses de honestidade e delicadezas.
(Fernanda Fraga, 02 de Abril, 2021)

Sacralizar

No Amor afino o que se soube de suas asas
Do meu voo, verso outras nuvens, o teu reflexo.
E pouso,
Velejo sob mares
Me deito nas conchas mágicas,
Pincelo saudades nas desordens das estações
Anúncio que rememora nossos jardins
Desfolha à alma através das mãos do outro
Iluminâncias ondulares que falam aos olhos a invenção de ti em mim.
Canto nas marquises para acolher o palco do amanhã.
Contigo, sou comunhão.

(Fernanda Fraga, 27/08/2013)

Foto Desconheço autoria.

¶ Publicado originalmente no meu blog antigo – Me Falta Um Pedaço Teu: http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com/2013/09/sacralizar.html?m=1

Sotaque Azul

A gente não entende muito dos propósitos
e despropósitos.
Ou até entende,
mas de uma maneira bem fajuta,
Corremos às vezes para não nos encontrar;
por ter-se a total certeza
que encantar-se com os pássaros;
ou só com os sotaques de remanço,
e toda sua escuta paciente,
Seja a versão definitiva de si.
e o meu peito aquele curto precipício
entre definições, ternuras,
afeições outras
a se ajeitar;
a perfumar agora
os teus largos ombros.
Só sei que desta pétala,
deste verde,
deste ofício terapêutico
que se percebem comuns
sobre nossas mãos ressonantes
Há uma beleza
a se revelar liberta
que se realiza
que se revela outra
todos os dias
que escolhe pra si
e reconhece seus contornos outros
que é possível sim.
Enquanto a gente entende
Há uma elegância
que se percebem
e se afinam em nós
E de todas essas frações
e contornos sentenciados por mim
Há um colorido a me convidar
a delinear os meus inteiros que jamais via.
De todo este sotaque azul,
fui pega para pertencer-me.

(Fernanda Fraga, 09. Fev. 2021)

“Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.”
(Manoel de Barros)

¶ Me acompanhem também no Instagram: @fernandafragapoemas
Foto: Desconheço autoria.

Cirandas do pôr do sol

o pôr do sol enamora
os tufos desta folhagem
Passeiam entre si
um romance
robusto galgado
a surgir vagaroso
pelas árvores
E tudo que eu via era
a perfeição
Uma túnica envasada, sob os pomos e ritos quaresmais.
Só os meus olhos endivinaram ao ver
sob as águas de março,
a ciranda das acácias
e ipês polvilhados
brincam de se esconder
Quase a enraizar-se
cor sob cor
não adormeciam orvalhados
Eu não conseguia mais desver;
mesmo escondidos nas ramagens pincelam
no dorso dum pequizeiro
o feitio de arar sua predileção nas paisagens por todo norte de Minas Gerais
Porque teu entardecer
clareia para aquecer
a noite vaidosa
Nomeia sem se vangloriar
Em meio a este espetáculo
um fazedor de poemas acompanha
a visita marcante dos quero-queros,
siriemas e jaçanãs
A poesia envaidecida era Deus a me amar,
A abraçar-me;
pelos meus
olhos.

(Fernanda Fraga, Minas Gerais 5 de Março 2021)

Porto de Nós…

Como não sentir-se Mar, despertencido e ao mesmo tempo manto d´água, pronto pra desaguar? Como não sangrar? Como não ver-se fragmentado nesse mesmo calendário que condena, que nos limita, e nos põe sempre inteiros um do outro? Que dispensa a forma, a querência, as extensões noturnas, lençóis e a própria travessia?
Aquele olhar se desviando, mas que ainda ver-se nas íris dos reflexos alheios?
Como caminhar de mãos abertas, se com elas querendo ou não, os lábios da Poesia sempre nos unem?
Meus dias ardem, mas não me amarguram,
Meu verbo se desfaz, enquanto anuncio, enquanto fomos. Te apercebo abrigado em alguma história incompleta.
Eu era apenas um abraço a querer morar contigo,
Sozinha – sou porto de nós.
Um verso assim sem nome, em dias azuis,
Entre aquele beijo silenciado,
Omitido em uma estrofe qualquer.

(Fernanda Fraga, 09/05/2013)

Poema de Celebrar…

Poeta,
tens agora,
pois outro tom
És outra fase,
outra tessitura
da pele,
dos teus olhos
e teu sorriso
Tu cresceste,
desabrigaste a si
em algumas estações
confundiu-se em outras mais.
Choraste,
sorriste,
entristestesse,
caminhaste por flores,
alguns espinhos,
quando vestiu-se de poesia
e encontraste a si mesmo
Como teu prumo
tua própria vida.
Talvez amasse mais
desde a tenra idade,
tanto e só,
do que pudessem amar-te
em toda amplidão
quanto a ti.
E por ter caminhado
entre as pétalas que semeou
Se fez perfume,
aconchego,
risos;
ternura,
abraço
e pouso macio.
Assentasse ao nascer do dia
na varanda
bem do lado do pé de Jatobá
Onde o fogão de lenha
aquece o café no bule
bem de manhã cedo
E à mesa o pão de queijo,
ao beber o café
apreciaste lá longe,
o voo silente da jaçanã
Que apruma teu encanto
embeleza o céu cor de pêssego
Nutriste de todas estas raízes
de mais de um quinhão poético
das várias cores que guardam tua alma
A abraçar teu próprio amor
pois nasceu para a palavra
E voas firme,
a espalhar poemas no papel,
Por diversos vitrais;
para vários olhos e olhares.
Poeta,
mais anos vais celebrar,
Muitas primaveras
te chegarão perfumadas
Bem mais do que antes.
E aprecies sempre que possível
aquela paisagem
a luzir tuas estrofes
No seio de um Ipê
apaixonado.

(Fernanda Fraga, 26/04/2020, *inspirado no ‘Poema de aniversário’, do poeta Gustavo Schmitt)